Repertório 451 MHz,

O afrofuturismo é nosso!

Os escritores Ale Santos e Kalaf Epalanga falam sobre como autores negros trazem novas perspectivas para a ficção científica

12jan2022

Está no ar o 56º episódio do 451 MHz, o podcast da revista dos livros! Duas vezes por mês, trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. Neste episódio, Paula Carvalho, editora da Quatro Cinco Um, recebe o roteirista e podcaster Ale Santos, autor de O último ancestral (Harper Collins, 2021), e o escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, colunista da Quatro Cinco Um, para uma conversa sobre o afrofuturismo na literatura e na música, como autores negros podem trazer novas perspectivas para a ficção científica e se existe um confronto entre a máquina e a espiritualidade. 

O 451 MHz tem apoio dos Ouvintes Entusiastas. Seja um você também! O podcast tem ainda apoio do Grupo Editorial Record

Ale Santos

   

Ale Santos, escritor, roteirista e apresentador do podcast Ficções Selvagens, lançou no final do ano passado o seu primeiro romance afrofuturista O último ancestral, publicado pela Harper Collins. O protagonista, Eliah, é um jovem que vive em uma comunidade em um Brasil distópico, onde as máquinas tentam invadir o mundo habitado pelos ancestrais encantados, com várias referências à narrativas africanas e afrodiaspóricas.

Kalaf Epalanga

   

Kalaf Epalanga é autor do livro Também os brancos sabem dançar, primeiro romance de sua autoria que saiu por aqui pela editora Todavia. Angolano radicado na Europa, faz parte da Buraka Som Sistema, uma das principais bandas responsáveis pela difusão do kuduro, gênero musical que nasceu na periferia de Luanda. Epalanga é também um grande conhecedor da literatura africana e da diáspora negra, além de ser curador de um festival de literatura africana e colunista da Quatro Cinco Um.

Livros afrofuturistas

    
 

Entre os livros citados no episódio, um dos destaques é a série O legado de Orïsha, cujos primeiros dois volumes (Filhos de sangue e osso  e Filhos de virtude e vingança) foram lançados aqui no Brasil pela editora Rocco. De autoria da nigeriano-americana Tomi Adeyemi, a trilogia é toda calcada na mitologia iorubá.

 

    
 

No Brasil, no final do ano passado foram lançadas outras duas obras afrofuturistas: O blogueiro bruxo das redes sobrenaturais, de Fábio Kabral, e O céu entre mundos, de Sandra Menezes, ambos publicados pela editora Malê.

De autores da África lusófona, Epalanga sugere a leitura de Virgilia Ferrão, autora de ficção especulativa (termo mais adotado dentro da linha afrofuturista), que está despontando no cenário literário.

Para além da literatura

Ale Santos comenta que vê no músico de jazz norte-americano Sun Ra um dos criadores do afrofuturismo, por aliar em suas músicas e seus vídeos, uma estética tecnológica com um futuro protagonizado por pessoas negras. Space is the Place (1974) é um complemento visual do álbum musical homônimo e está disponível no YouTube.

Outro exemplo afrofuturista na música, na visão de Santos, é Afrika Bambaata com sua canção Planet Rock:

Carlinhos Brown, Chico Science, Gaby Amarantos, Carl Craig, Jeff Mills e funk, drum’n bass, trap, entre outros artistas e estilos musicais também foram citados pelos entrevistados como afrofuturistas.

No audiovisual, vê-se a presença do blockbuster Pantera Negra, sobre o qual Epalanga escreveu um texto em homenagem a Chadwick Boseman, o eterno rei de Wakanda, morto em agosto de 2020 de um câncer, e Black Is King, o álbum visual de Beyoncé, lançado em 2020. 

Mais na Quatro Cinco Um

Kalaf Epalanga escreve mensalmente na Quatro Cinco Um na coluna Um Benguelense em Berlim, em que ele trata de cinema, literatura, música, artes plásticas e questões políticas em torno de povos africanos e afrodiaspóricos.

Ale Santos concedeu uma entrevista sobre O último ancestral para a seção Fichamento da edição 52. Ele também escreveu uma resenha para a edição 31 da revista dos livros sobre o livro infantil O filho querido de Olokun, de Rogério Athayde (Pallas, 2020)

A dama da ficção científica e um dos grandes nomes do afrofuturismo, Octavia Butler, teve o livro de contos Filhos de sangue e outras histórias (Morro Branco, 2020) resenhado na edição 32 por Waldson Souza.

Outro nome que tem se destacado na produção afrofuturista é o do jamaicano Marlon James, que lançou ano passado o calhamaço Leopardo negro, lobo vermelho (Intrínseca, 2021). O escritor concedeu uma entrevista a Julio Delmanto para a edição 47 da Quatro Cinco Um.

Apesar de poucos autores brancos de ficção científica terem imaginado um futuro em que os negros existiam, havia algumas poucas exceções. Uma delas era Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451, que escreveu contos em que a população negra do sul dos Estados Unidos migra para Marte.

Citados por Ale Santos, a peça R.U.R., do tcheco Karel Čapek, que deu origem à palavra “robô”, e o clássico Frankenstein, de Mary Shelley, foram tema de textos publicados na revista.

Narradores do Brasil

Na coleção de episódios roteirizados Narradores do Brasil, o 451 MHz faz breves incursões no formato narrativo para explorar a vida e a obra de nossos grandes autores. Ouça o último episódio sobre o casal Lota de Macedo Soares e Elizabeth BishopRubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles, Nelson Rodrigues, Paulo Freire e Caio Fernando Abreu foram os outros autores contemplados nessa coleção.

O melhor da literatura LGBTI+

O quadro que contou com o apoio do C6 Bank reuniu catorze livros e dicas literárias LGBTI+ de colaboradores da Quatro Cinco Um. Veja a lista completa.

 O 451 MHz é uma produção da Rádio Novelo e da Associação 451.
Apresentação: Paulo Werneck e Paula Carvalho
Participação especial: –
Coordenação Geral: Paula Scarpin e Vitor Hugo Brandalise
Produção: Gabriela Varella
Edição: Claudia Holanda
Produção musical: Guilherme Granado e Mario Cappi
Finalização e mixagem: João Jabace
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Coordenação digital: Juliana Jaeger e FêCris Vasconcellos
Gravado com apoio técnico da Confraria de Sons & Charutos (SP).
Para falar com a equipe: [email protected]